Crónicas crónicas III

Lembro-me como se fosse sempre…
Ainda não acordei decerto.
Adorava ver-te pedrada,
matavas-me as saudades do teu sorriso
e a destreza com que agias,
deixava-me em apaixonado delírio.
Lembro-me como se fosse sempre…
Em quarto fechado,
nua de pé junto à parede
comprimias tuas costas
abaixo do meu peito.
Parado não te conhecia.
Lembro-me como se fosse sempre…
Da cama para a parede
acabávamos no pequeno sofá.
O teu esófago consumia esperma.
Atordoado... com medo de parecer machista,
via-me obrigado a prová-lo também.
Já não tenho o pequeno sofá,
troquei-o por um cabide de pé,
dá-me mais jeito.
Não sei onde pára a cama,
ao contrário do que julgas,
não me afeiçoo assim tanto aos objectos.
Apodreço sim, com as nossas viagens
que não me largam o pensamento.
É triste.
É triste.
É triste.
É triste constatar,
que o rancor dos nossos momentos,
ainda hoje,
descontrola a possibilidade de nos entendermos.
Cova